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Subir o Monte Sinai de noite: o guia honesto de quem fez os 720 degraus

Há excursões que se compram na receção do hotel como quem compra um gelado.

Esta não é uma delas.

A subida noturna ao Monte Sinai é, provavelmente, a experiência mais intensa que pode viver a partir de umas férias em Sharm El Sheikh.

É também uma das mais exigentes.

Fi-la este mês, do primeiro passo ao último degrau, e este artigo existe para lhe dizer a verdade:

Vale a pena.

Mas só se for preparado.

Antes de continuar: esta subida é para si?

O Monte Sinai não é apenas um miradouro.

É um lugar carregado de significado bíblico, espiritual e histórico. A tradição associa-o à entrega das Tábuas da Lei a Moisés, e a área é sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos.

Se esta dimensão não lhe toca, o meu conselho profissional é simples:

Continue a dormir no seu quarto.

Não há nada de errado nisso.

Há destinos para todos.

Mas se o Sinai lhe desperta qualquer coisa, fé, curiosidade, história, silêncio, deserto, mistério, então continue.

Vamos subir juntos.

Como funciona a noite

A operação está bem montada.

Por volta das 22h00, o autocarro recolhe os participantes nos hotéis de Sharm El Sheikh.

Seguem-se duas a três horas de viagem noturna até à base do monte.

À chegada, há briefing, entrega de lanternas e organização dos grupos.

Depois começa o percurso:

4,15 quilómetros de caminhada + 720 degraus finais.

Guarde estes números.

São eles que separam quem chega preparado de quem chega arrastado.

O objetivo é simples:

Estar no cume ao nascer do sol.

A caminhada

A primeira parte é caminhada sempre a subir.

No escuro.

Com pedras.

Com paragens.

Com silêncio.

E com um céu que dificilmente esquecerá.

No deserto do Sinai, sem luz artificial no horizonte, as estrelas parecem estar mais perto.

Há momentos em que deixamos de pensar na excursão e percebemos que estamos numa peregrinação.

Mesmo quem não é religioso sente qualquer coisa.

Talvez seja a escala.

Talvez seja o silêncio.

Talvez seja apenas a fadiga a abrir espaço para o essencial.

Os 720 degraus

A caminhada é exigente, mas gerível.

O verdadeiro exame começa nos 720 degraus finais.

São degraus de pedra, irregulares, já com mais de quatro quilómetros nas pernas e uma noite sem dormir no corpo.

É duro.

Não vou fingir o contrário.

Houve um momento em que pensei:

- Não é possível manter este ritmo.

E aqui fica o aviso mais importante:

Não se compare.

Há sempre alguém que sobe como se tivesse nascido ali.

São como Opel Corsa antigos a 150 na autoestrada: ninguém percebe como, mas lá vão eles.

Suba ao seu ritmo.

O monte não foge.

Frio no cume, mesmo no verão

Perto do topo há uma última paragem.

Pode comprar bebida, comer alguma coisa e alugar uma manta por cerca de 4 euros.

Alugue.

Estamos acima dos 2.200 metros e, mesmo no verão egípcio, a madrugada é fresca.

Depois falta pouco.

A última parte é mais leve.

E então chega-se ao cume.

O nascer do sol

No topo, as pessoas esperam em silêncio.

Cansadas. Frias. Enroladas em mantas.

Viradas para o horizonte.

O dia começa devagar.

Primeiro uma linha.

Depois luz.

Depois o sol, inteiro, sobre o deserto do Sinai.

E acontecem as palmas.

Espontâneas.

De desconhecidos de vários países, religiões e línguas.

Conseguimos.

Foi duro?

Foi.

Muito.

Mas talvez seja precisamente por isso que vale.

A descida e Santa Catarina

A descida faz-se já com luz.

E é aí que percebe o que subiu.

As pedras.

O declive.

A escala.

A dureza do caminho que a noite tinha escondido. No final espera o Mosteiro de Santa Catarina, fundado no século VI e considerado um dos mais antigos mosteiros cristãos ainda em funcionamento.

O mosteiro fica associado ao local tradicional da Sarça Ardente e guarda um património raríssimo de manuscritos e ícones antigos.

Mas atenção:

Esta visita acontece depois de uma noite inteira sem dormir.

Vi pessoas atravessarem aquele lugar milenar sem energia para o perceber.

É uma pena.

Durma antes.

Poupe forças.

Santa Catarina merece olhos abertos.

O que levar

Leve o essencial:

  • calçado de caminhada ou ténis muito bons;

  • casaco leve;

  • roupa por camadas;

  • água;

  • algo doce;

  • dinheiro trocado;

  • lanterna frontal, se tiver;

  • paciência;

  • humildade física.

E, sobretudo, leve honestidade.

Esta subida não é para todos.

Eu daria 9,9 em 10 de dificuldade.

Não por ser tecnicamente impossível, mas porque junta tudo: noite sem dormir, subida longa, degraus, frio, pedra solta e descida cansativa.

Quem tem problemas cardíacos, joelhos frágeis ou condição física baixa deve pensar muito bem antes de reservar.

É preciso explicar a noite, o esforço, o frio, os degraus, o cansaço em Santa Catarina e o tipo de viajante para quem esta experiência faz sentido.

E é mais fácil aconselhar o caminho quando se fizeram, pessoalmente, todos os degraus.

Se o Sinai já lhe entrou na cabeça, fale connosco.

Nós tratamos da preparação.

A montanha trata do resto.

  • Conteúdo editorial Travel Gate.

Revisto por Paulo Coelho

Fundador e CEO da Travel Gate, profissional do turismo desde 1986.

Licenciado em Turismo e pós-graduado pela Universidade de Buenos Aires, desenvolve atividade em gestão de viagens e hotelaria na Europa, em África e na América Latina.

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RNAVT nº2426

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