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O CEO que embarcou à chuva: Ryanair para executivos, que realidade?

Ontem recebemos uma mensagem de um cliente:

“Sofri quase quatro horas de atraso no voo, vim sentado no pior lugar do avião e, para além disso, embarquei à chuva.”

Um administrador.

À chuva.

Na pista.

Com o computador dentro da mochila e uma reunião difícil à espera no destino.

A primeira tentação seria concluir:

- A Ryanair não serve para executivos.

É uma conclusão simples.

E, por isso mesmo, provavelmente errada.

Não há nada de automaticamente errado em um executivo viajar na Ryanair.

O erro está em colocar qualquer viajante, executivo ou não, num voo escolhido apenas pelo preço, sem avaliar se o horário, a tarifa, o aeroporto, a bagagem e o risco operacional servem o objetivo da deslocação.

A questão não é a marca pintada no avião.

É a missão.

O mérito do modelo low-cost

Ryanair ajudou a transformar a aviação europeia.

Abriu rotas, aumentou frequências, aproximou cidades e permitiu que milhões de pessoas viajassem a preços que, durante muitos anos, pareciam impossíveis.

O modelo é claro:

  • alta utilização das aeronaves;

  • operação simplificada;

  • serviços vendidos separadamente;

  • forte disciplina de custos;

  • voos ponto a ponto;

  • tarifas base muito competitivas.

Para um passageiro que quer passar um fim de semana noutra cidade, aceita um aeroporto mais distante e tem flexibilidade de horário, a proposta pode ser excelente.

Também pode ser excelente para uma viagem de negócios.

Desde que seja a viagem certa.

O que um executivo realmente compra quando voa

Um executivo não compra apenas um assento.

Compra:

  • tempo útil;

  • previsibilidade;

  • energia;

  • capacidade para trabalhar;

  • margem para chegar a uma reunião;

  • facilidade para alterar;

  • rapidez para entrar e sair;

  • alguém que responda quando o plano falha.

O lugar no avião é apenas uma parte da equação.

Uma deslocação profissional existe para cumprir um objetivo:

  • Assinar.

  • Negociar.

  • Apresentar.

  • Decidir.

  • Resolver.

  • Visitar.

  • Fechar.

Se o viajante chega quatro horas atrasado, cansado, molhado e sem margem para se preparar, o bilhete pode ter sido barato.

A viagem não foi.

O custo que não aparece na fatura

Opção A

  • Bilhete: 80 euros.

  • Partida demasiado cedo ou demasiado tarde.

  • Aeroporto distante.

  • Tarifa sem flexibilidade.

  • Lugar aleatório.

  • Bagagem adicional paga separadamente.

  • Último voo do dia.

  • Reunião importante logo após a chegada.

Opção B

  • Bilhete: 220 euros.

  • Aeroporto mais conveniente.

  • Horário que permite margem.

  • Lugar reservado.

  • Bagagem incluída.

  • Alternativas posteriores no mesmo dia.

  • Chegada na véspera da reunião.

Se analisarmos apenas o preço do bilhete, a opção A é claramente mais barata.

Se acrescentarmos:

  • transferes;

  • horas de trabalho perdidas;

  • refeições;

  • risco de perder a reunião;

  • necessidade de uma noite adicional;

  • alteração de última hora;

  • desgaste do executivo;

a resposta pode mudar.

O custo de uma viagem profissional não termina no momento do pagamento.

Termina quando a missão foi cumprida.

Embarcar à chuva não é uma classe tarifária

O embarque por escadas e a deslocação a pé ou em autocarro até à aeronave fazem parte da operação de muitos aeroportos e companhias.

Pode acontecer numa companhia low-cost.

Também pode acontecer noutras.

Nenhuma agência séria pode prometer que um passageiro terá sempre uma manga de embarque.

Essa decisão depende da infraestrutura, da posição atribuída à aeronave e da operação do aeroporto naquele momento.

O que pode ser feito é avaliar o contexto:

  • o aeroporto utiliza frequentemente posições remotas?

  • a ligação ocorre num período de mau tempo?

  • o executivo transporta equipamento sensível?

  • existe mobilidade reduzida?

  • o horário permite uma alternativa melhor?

  • vale a pena utilizar outro aeroporto?

Não é possível eliminar todos os incómodos.

É possível evitar tratar todos os voos como se fossem iguais.

A Ryanair também procura o mercado empresarial

Seria incorreto apresentar a Ryanair como uma companhia destinada apenas a turistas.

Nos últimos anos, a transportadora reforçou a sua distribuição para empresas e agências.

Os seus voos passaram a estar disponíveis através de soluções corporativas como SAP Concur e de parceiros de distribuição especializados.

Em 2025, lançou também o Travel Agent Direct, uma plataforma destinada a permitir que agências autorizadas reservem diretamente os seus voos.

Isto confirma algo importante:

A Ryanair pode fazer parte de um programa empresarial.

Mas fazer parte não significa ser automaticamente a melhor escolha para todas as viagens.

Uma política de viagens séria não proíbe uma companhia por preconceito.

Também não a escolhe sempre por preço.

Define critérios.

O lugar mais barato pode ser o lugar mais caro

O cliente que nos escreveu mencionou que viajou no pior lugar do avião.

Um lugar aleatório é uma consequência previsível de determinadas tarifas.

Não é um acidente operacional.

Quando o viajante precisa de:

  • sair rapidamente;

  • evitar uma fila específica;

  • trabalhar com maior conforto;

  • ter a mala próxima;

  • reduzir o tempo de desembarque;

o lugar deve ser escolhido antes do check-in.

Esperar que o sistema ofereça gratuitamente o melhor lugar é uma estratégia.

Mas não é gestão.

O que uma agência pode fazer

Na Travel Gate não somos contra companhias low-cost.

Somos contra viagens escolhidas sem contexto.

Uma Ryanair bem escolhida pode ser eficiente, direta e adequada.

Uma companhia tradicional mal escolhida também pode resultar num itinerário caro e inútil.

O nosso trabalho não é defender uma marca.

É defender a missão do cliente.

Desde 2003 que tratamos as deslocações profissionais como aquilo que são:

Trabalho.

Analisamos o preço, mas também:

  • o horário;

  • o aeroporto;

  • a bagagem;

  • o lugar;

  • as alternativas;

  • a flexibilidade;

  • o risco;

  • o impacto de chegar tarde.

E mantemos assistência ao viajante 24 horas por dia quando o plano deixa de ser o plano.

O CEO que embarcou à chuva não precisava necessariamente de outra companhia.

Precisava de uma viagem escolhida com todos os custos à vista.

  • Conteúdo editorial Travel Gate.

Revisto por Paulo Coelho

Fundador e CEO da Travel Gate, profissional do turismo desde 1986.

Licenciado em Turismo e pós-graduado pela Universidade de Buenos Aires, desenvolve atividade em gestão de viagens e hotelaria na Europa, em África e na América Latina.

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RNAVT nº2426

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